O tempo passa mas a gente não aprende. E, mais uma vez, estive meses sem escrever...
Cá vou andando, obrigado
pela pergunta. É verdade, ando desaparecido, isto nos últimos seis meses foi
uma tristeza, não prestei para nada. Para falar a verdade, tive dias de não me
conhecer a mim mesmo. Quem me mandou comprar uma casa a modos de ser acabada?
Já está pronta, é verdade, mas deu muito que fazer à cabeça. Fiz umas quantas
asneiras, fui enrolado pelo empreiteiro, o dinheiro não deu para tudo mas hei
de saldar as contas à medida que puder, que isto de dívidas só consinto tê-las
ao banco. Enfim, adiante.
Não, não ganhei o
Euromilhões. Mudei um bocado de estilo de vida, troquei de carro, comprei a
casa e, no processo, torrei dez anos de poupanças, mas estou feliz. A minha
filha cresce linda, alegre e sadia, a minha mulher dá-me forças para respirar,
por isso agora estou a sentir novas energias para escrever. Cérebro descansado,
dedos ocupados, bem podia ser o meu novo lema.
É, minha gente, isto tem
de ser com calma, para se poder passar por cima dos obstáculos que a vida nos
vai pondo à frente. Mas e vocês, como têm passado? Ouvi dizer que a crise está
a desaparecer devagarinho, até que enfim, e que há uns aviões novos a voar para
São Miguel, capazes de nos levar ao continente pelo preço de um jantar bem
regado. Ainda bem! Mas também já acabaram com o voo de Madrid para a Terceira,
não é? Foi tudo para São Miguel ver as lagoas?
E desapareceram as quotas
leiteiras? Pois, é capaz de ser um problema, não percebo muito disso. Mas
parece que já se sabia há uns anos que ia ser assim, não é? Eu pergunto porque
fiquei confuso ao ver o CDS (ou PP, ou lá como eles se chamam) dizer que ia
pedir um debate de urgência sobre o assunto. É que se já se sabe há anos que as
quotas iam desaparecer, qual é a urgência agora? Nunca se falou disso na
Assembleia Regional? Vou investigar o caso.
Os meus amigos dizem-me
que a Universidade não quis manter aberto por cá o curso de Gestão de Empresas.
Pois. É assim que eles fazem as coisas: o curso na Terceira dá lucro? Tem
muitos alunos? Então não pode ser, que nós precisamos de ter prejuízos para
pedir mais dinheiro ao governo. De qualquer maneira, não se pode ter lá um
curso com alunos melhores que os de cá, vamos lá arranjar maneira de fazer com
os alunos o que se fez com a SATA: queremos cá os aviões todos. E o reitor,
ainda por cima, foi para a televisão dizer que os professores de cá não
prestavam. Se fosse comigo, não ficava assim…
E houve rali, não é? Parece
que veio cá um carro espetacular, que nunca se tinha visto por estas bandas. A
minha vizinha diz que foi por causa disso que mandaram fazer umas lombas
grandes ali em frente ao Centro Cultural e na Ladeira Branca, para esse tal
carro andar mais devagar. Ó vizinha, quero lá saber desse carro, quero saber é
do meu, que de desportivo não tem nada e arrastou com a frente no chão na
primeira vez que passou lá a subir! Passa fora! Era fazer uma lomba na cabeça
de quem as desenhou assim! Na fila do hiper, a respeito disto, uma senhora
dizia à empregada da caixa que eles haviam era de ir brincar com a pombinha
para a areia…
E os americanos sempre se
vão embora, não é? Agora parece que o problema não é dos despedimentos, afinal
vão ser muito poucos, o problema é do dinheiro que eles vão deixar de gastar
cá. Vai ser preciso arrendar casas por muito menos dinheiro, diz um homem à
mesa do café…
Enfim, já percebi. Andei
seis meses meio afastado do mundo e parece que pouco mudou. Anda tudo
preocupado com as lombas desta vida, anda tudo preocupado com o que se faz com
as pombas nos tempos livres… anda tudo de trombas!
Acho que vou fazer mais
uma casa.
Sem comentários:
Enviar um comentário