As obras em Angra do Heroísmo apresentam várias particularidades, como as derrapagens financeiras, o desrespeito pelos prazos, as lombas...
Depois de alguns meses de inatividade forçada, de modo a possibilitar uma
intervenção profunda no piso, está já reaberta a pista do Fanal, para a
satisfação dos seus muitos utilizadores diários e dos comerciantes da Rua de
São Pedro, prejudicados pela falta de estacionamento na rua enquanto durassem
as obras na artéria vizinha, de modo a possibilitar um melhor escoamento do
trânsito
O renovado arruamento mantém as três faixas de rodagem, mas apresenta alguns
melhoramentos nas bermas, tendo sido criados espaços de raiz para as novas
árvores que lá estão colocadas e novas delimitações para estacionamento no
sentido descendente, pois em direção ao Alto das Covas continua a ser proibido
estacionar. A grande inovação é, no entanto, uma passagem de peões que é também
uma lomba em asfalto destinada a obrigar os condutores a reduzir a velocidade
na reta entre os semáforos da Avenida Tenente Coronel José Agostinho e o Alto
das Covas.
Fomos para a rua saber o que pensam condutores e peões sobre a obra
realizada, e o certo é que as opiniões se dividem quanto às soluções adotadas.
Do lado dos pedestres, Mariana da Conceição, utente frequente da Caixa de
Previdência, manifestou a sua concordância em relação à nova passadeira: “Acho
muito bem, a passadeira antiga já mal se via, e os carros passavam com
velocidade a mais, não respeitavam a gente. Ai tanta vez que eu estive para ser
atropelada! Ainda hoje estou para saber como nunca aconteceu”, referiu a idosa
à nossa reportagem.
Francisco Mangalho faz todos os dias o percurso entre São Mateus e o Porto
das Pipas, atravessando a cidade para deixar a namorada no trabalho, e este
automobilista não tem dúvidas: “ A estrada nova está espetacular, dá para
acelerar mais quando estamos atrasados, o carro aguenta-se melhor na curva cá
atrás no Fanal e depois se o sinal estiver verde dá para ultrapassar a fila
toda e chegar primeiro ao Alto das Covas. Só não gosto muito é daquela lomba
que puseram a meio da reta, obriga a travar um bocado e é muito alta. Um homem
gasta tanto dinheiro a pôr um para-choques tuning e depois só fazem coisas que
a gente está sujeito a partir tudo”.
Opinião semelhante tem João Parreco, que também confessa usar o semáforo
para ultrapassar a fila quando está atrasado, mas acrescenta que “se calhar o
melhor era não haver aquela passadeira a meio da reta, bastava a dos semáforos
lá em baixo”. Isto porque, no seu entender, “não dá jeito nenhum uma pessoa ter
de parar ali para deixar passar as velhas que vão para a Caixa, e o pior é que
quando a gente vai a ultrapassar às vezes não dá para perceber que vem alguém a
atravessar. Aqui há dias, antes de abrirem aquelas valas todas, ia a
ultrapassar uma carrinha de padeiro que estava parada e afinal ela estava era à
espera de uma tia Maria passar. Estive quase a bater na mulher!”, justifica-se.
Talvez mais sensata seja a visão de Manuel Cumpridor, que acaba por destoar
das anteriores: “Eu parece-me que a Câmara perdeu uma grande oportunidade para
resolver um problema de trânsito bem grave. É triste uma pessoa estar parada na
fila do semáforo, a tratar da sua vida, e depois vem um esperto na faixa da
esquerda e, em vez de virar para as ruas do meio de São Pedro, acelera como um
maluco para nos ultrapassar, e às vezes até se mete para a direita de uma forma
que a gente é que tem de parar, se não bate. E nem sequer as passadeiras eles
respeitam”, lamenta-se este condutor, que não tem problemas em responder quando
questionado sobre uma eventual solução para o problema: “eu resolvia as coisas
de uma maneira muito simples, com uma linha contínua desde o semáforo até ao
ilhéu do Alto das Covas, punha só uns traços descontínuos para quem quisesse
sair do Cerrado do Bailão e passar para o lado esquerdo. Assim já não se podia
ultrapassar e fazer corridas nos semáforos”, defende.
Ana Teresa, que todas as manhãs faz aquele trajeto rumo ao colégio dos
filhos, concorda, e acrescenta ainda outro pormenor: “essa da linha contínua
era uma grande ideia, mas ia ser preciso fazer também uns risquinhos para
deixar virar para o Bailão quem viesse a descer a avenida, e assim tudo
funcionava. Era preciso era mais atenção da polícia para o estacionamento ao
descer do Alto das Covas para a rua de São Pedro, que aquilo ali é uma
tristeza, tem duas faixas mas só se pode usar uma. E também era bom que vissem
o que se passa com aquela saída que vem do Monte Brasil. Não se pode virar logo
para baixo, está lá o sinal, mas todos os dias vejo carros a virar logo para
São Pedro ou pela avenida abaixo, já estive quase a ter acidentes por causa
disso. Fico toda a tremer, só de pensar que levo os pequenos no carro”,
lamenta.
Parece haver, portanto, lugar para pequenas alterações no ordenamento de
trânsito na Avenida Tenente Coronel José Agostinho. Afinal, nem todos partilham
da satisfação de Tiago, condutor de uma moto4, que rasga um sorriso quando fala
da nova lomba que é também passadeira: “dá para saltar ali, é espetacular”.
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