segunda-feira, 16 de maio de 2016

75 - Já reabriu a pista do Fanal

As obras em Angra do Heroísmo apresentam várias particularidades, como as derrapagens financeiras, o desrespeito pelos prazos, as lombas...

Depois de alguns meses de inatividade forçada, de modo a possibilitar uma intervenção profunda no piso, está já reaberta a pista do Fanal, para a satisfação dos seus muitos utilizadores diários e dos comerciantes da Rua de São Pedro, prejudicados pela falta de estacionamento na rua enquanto durassem as obras na artéria vizinha, de modo a possibilitar um melhor escoamento do trânsito
O renovado arruamento mantém as três faixas de rodagem, mas apresenta alguns melhoramentos nas bermas, tendo sido criados espaços de raiz para as novas árvores que lá estão colocadas e novas delimitações para estacionamento no sentido descendente, pois em direção ao Alto das Covas continua a ser proibido estacionar. A grande inovação é, no entanto, uma passagem de peões que é também uma lomba em asfalto destinada a obrigar os condutores a reduzir a velocidade na reta entre os semáforos da Avenida Tenente Coronel José Agostinho e o Alto das Covas.
Fomos para a rua saber o que pensam condutores e peões sobre a obra realizada, e o certo é que as opiniões se dividem quanto às soluções adotadas. Do lado dos pedestres, Mariana da Conceição, utente frequente da Caixa de Previdência, manifestou a sua concordância em relação à nova passadeira: “Acho muito bem, a passadeira antiga já mal se via, e os carros passavam com velocidade a mais, não respeitavam a gente. Ai tanta vez que eu estive para ser atropelada! Ainda hoje estou para saber como nunca aconteceu”, referiu a idosa à nossa reportagem.
Francisco Mangalho faz todos os dias o percurso entre São Mateus e o Porto das Pipas, atravessando a cidade para deixar a namorada no trabalho, e este automobilista não tem dúvidas: “ A estrada nova está espetacular, dá para acelerar mais quando estamos atrasados, o carro aguenta-se melhor na curva cá atrás no Fanal e depois se o sinal estiver verde dá para ultrapassar a fila toda e chegar primeiro ao Alto das Covas. Só não gosto muito é daquela lomba que puseram a meio da reta, obriga a travar um bocado e é muito alta. Um homem gasta tanto dinheiro a pôr um para-choques tuning e depois só fazem coisas que a gente está sujeito a partir tudo”.
Opinião semelhante tem João Parreco, que também confessa usar o semáforo para ultrapassar a fila quando está atrasado, mas acrescenta que “se calhar o melhor era não haver aquela passadeira a meio da reta, bastava a dos semáforos lá em baixo”. Isto porque, no seu entender, “não dá jeito nenhum uma pessoa ter de parar ali para deixar passar as velhas que vão para a Caixa, e o pior é que quando a gente vai a ultrapassar às vezes não dá para perceber que vem alguém a atravessar. Aqui há dias, antes de abrirem aquelas valas todas, ia a ultrapassar uma carrinha de padeiro que estava parada e afinal ela estava era à espera de uma tia Maria passar. Estive quase a bater na mulher!”, justifica-se.
Talvez mais sensata seja a visão de Manuel Cumpridor, que acaba por destoar das anteriores: “Eu parece-me que a Câmara perdeu uma grande oportunidade para resolver um problema de trânsito bem grave. É triste uma pessoa estar parada na fila do semáforo, a tratar da sua vida, e depois vem um esperto na faixa da esquerda e, em vez de virar para as ruas do meio de São Pedro, acelera como um maluco para nos ultrapassar, e às vezes até se mete para a direita de uma forma que a gente é que tem de parar, se não bate. E nem sequer as passadeiras eles respeitam”, lamenta-se este condutor, que não tem problemas em responder quando questionado sobre uma eventual solução para o problema: “eu resolvia as coisas de uma maneira muito simples, com uma linha contínua desde o semáforo até ao ilhéu do Alto das Covas, punha só uns traços descontínuos para quem quisesse sair do Cerrado do Bailão e passar para o lado esquerdo. Assim já não se podia ultrapassar e fazer corridas nos semáforos”, defende.
Ana Teresa, que todas as manhãs faz aquele trajeto rumo ao colégio dos filhos, concorda, e acrescenta ainda outro pormenor: “essa da linha contínua era uma grande ideia, mas ia ser preciso fazer também uns risquinhos para deixar virar para o Bailão quem viesse a descer a avenida, e assim tudo funcionava. Era preciso era mais atenção da polícia para o estacionamento ao descer do Alto das Covas para a rua de São Pedro, que aquilo ali é uma tristeza, tem duas faixas mas só se pode usar uma. E também era bom que vissem o que se passa com aquela saída que vem do Monte Brasil. Não se pode virar logo para baixo, está lá o sinal, mas todos os dias vejo carros a virar logo para São Pedro ou pela avenida abaixo, já estive quase a ter acidentes por causa disso. Fico toda a tremer, só de pensar que levo os pequenos no carro”, lamenta.

Parece haver, portanto, lugar para pequenas alterações no ordenamento de trânsito na Avenida Tenente Coronel José Agostinho. Afinal, nem todos partilham da satisfação de Tiago, condutor de uma moto4, que rasga um sorriso quando fala da nova lomba que é também passadeira: “dá para saltar ali, é espetacular”.

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