Ficar em casa com gripe é das coisas piores que já me aconteceram. O tempo arrasta-se, e o espírito divaga...
Já não sei mais para onde olhar. A televisão parece feia e já nem as dezenas de canais do cabo me parecem satisfazer. Ler seria uma solução, mas agora não me apetece. Estou fora de combate há quatro dias, e estou irritado comigo mesmo. O pior é que nem sei bem porquê. Não tive a culpa de ter ficado doente, e sei bem que o facto de ter passado as últimas duas semanas em salas de aula que eram autênticos viveiros de gripe deve ter ajudado à festa, mas que diabo! Desde 1999 que não ficava de cama um dia que fosse, quanto mais quatro!
Quinta-feira à noite a coisa já não estava lá muito bem, mas lá me aguentei na sexta, apesar de não conseguir falar nem muito alto nem durante muito tempo. Numa aula de sétimo ano, são dois problemas de uma só vez. O plano era fechar-me de vez à noite para ver se o fim-de-semana não ficava estragado, mas não resultou: um telefonema tirou-me de casa, pois uma delegação florentina estava à minha espera na Praia, e por aquele pessoal eu vou longe. Rever antigos colegas e alunos que são actuais e eternos amigos é coisa que faço mesmo à custa de outras coisas, e assim foi.
Resultado: sábado fora de combate, domingo completamente KO, segunda-feira com perspectivas de recuperação para ir trabalhar na terça, e na terça a desilusão de cair na realidade e perceber que se saísse de casa com aquele tempo estaria a jogar à roleta russa com as gripes mal curadas, e na quarta era imprescindível estar em condições para sair de casa. Pela primeira vez em seis anos de trabalho, faltei dois dias por doença, e quem me conhece sabe que isso me custa muito. Valha a verdade que tive a possibilidade de fazer uma coisa que me dá muito prazer: dormir. Posso não fazer muitas coisas bem nesta vida (gosto de pensar o contrário, atenção!), mas dormir não é uma delas.
Lá fora, a chuva cai sem parar. Domingo choveu, segunda choveu, hoje chove… e eu em casa a ver chover. É enervante e reconfortante ao mesmo tempo, mas saber que tinha as coisas prontas para trabalhar estes dois dias e acabei por perder aquilo que tinha preparado é algo que não tem classificação. Também não tenho telefone, é verdade, e o adsl funciona durante tanto tempo quanto o sol aparece, cortesia da nossa companhia dos telefones. A água de domingo mexeu com os fios, e só na quarta vem cá um técnico ver o que se passa. No escritório, o monitor do computador funcionou no primeiro dia e nunca mais se quis ligar. Ainda estou à espera da assistência me ligar.
E pronto, como não tinha mais que fazer sentei-me ao computador e saiu mais uma coisa parecida com uma crónica. Não está grande coisa, é verdade, mas é que ainda estou meio rouco, por isso não se percebe muito bem…
Ser professor é ser um Eterno Estudante. Foi esta a ideia por trás da criação destas crónicas, publicadas nos jornais A União e Diário Insular, de Angra do Heroísmo. Há aqui textos para todos os gostos, desde o simples devaneio de ocasião até ao artigo de opinião, por vezes controverso, e em todos se sente o autor. Eu. E espero que se sinta também o leitor, pois tudo isto foi escrito para ser lido. E está tudo também em http://eternoestudante.no.sapo.pt/, com mais algumas coisinhas sobre mim...
Sem comentários:
Enviar um comentário