quinta-feira, 1 de novembro de 2007

42 - Faltas de Educação

A canalha de hoje é pior que a de ontem? Eu acho que sim!

Faz-me uma certa confusão estar sempre a ouvir os mais velhos dizer que “no meu tempo é que era bom”. Olho à minha volta e só vejo motivos para nos regozijarmos com o progresso. A tecnologia trouxe-nos melhores meios de comunicar uns com os outros, melhores transportes, mais facilidade de executar trabalhos complexos e morosos (será que ainda há quem use máquina de escrever?), novas formas de entretenimento, e por aí fora. No entanto, sinto que é verdade que se perderam algumas coisas boas “daquele tempo”.
“Antigamente”, segundo rezam as crónicas, havia uma coisa muito bonita chamada respeito, que se via por toda a parte. Quando alguém recebia uma carta respondia, mesmo que não gostasse do conteúdo, mas hoje já nem nos damos ao trabalho de responder a um e-mail, talvez por recebermos tantos que até já perdeu a graça. Dizem-me que não se viam poucas vergonhas na rua, e aí eu rio-me só de pensar na diferença entre os namoros de janela, que tantas dores de pescoço deram, e os… bem… os namoros de hoje em dia, que tantas dores de cabeça dão aos pais que ainda vão dando mostras de se preocupar com os filhos. Se me perguntarem, não quero voltar à janela, mas também reconheço que se está a cair num laxismo exagerado. No meio é que está a virtude.
Nas escolas, cada vez mais encontramos crianças “selvagens”, sem educação nenhuma, e aí não há nada a fazer. Ensino e educação são coisas completamente diferentes: o ensino é trabalho para os professores, mas a educação traz-se de casa, não deviam ser os professores a fazer o trabalho dos pais, mas cada vez mais é isso que se pede. O respeito pelos professores já vem minado de casa e… de casa? Que diabo, ele já vem minado pelos próprios responsáveis governamentais! Mas adiante, que isso dava outro artigo.
Comigo, o respeito é a dobrar. Logo no primeiro dia deixo clara a minha teoria dos três “R”: Respeito, Responsabilidade e Respeito. As regras são claras, e quem ultrapassar o risco arrisca-se a ver-me zangado, o que não é nada fácil. Há dois anos que nenhum aluno meu se gaba de me ouvir levantar a voz na sala de aula, e assim espero continuar. De qualquer forma, há alturas em que apetece fazer tudo menos manter a calma, e é isso que me traz aqui hoje.
A história conta-se em poucas palavras: ia eu pela Rua de São Pedro abaixo aí pelas oito da noite, altura em que ainda não é necessário ligar faróis para ver mas sim para ser visto, e vejo em sentido contrário um miúdo de bicicleta no meio da estrada. Abrandei, e já só quando estava em cima de mim é que ele se desviou, obrigando-me a parar. Olhei para ele, e abri as mãos interrogativamente, como quem diz “então?”, e mesmo com o vidro fechado consegui ouvir um sonoro FAKIÚ em inglês bem dizido. Não parei, até porque já tinha outro carro atrás, mas a minha vontade era agarrá-lo pelos capuchos e arrastá-lo a casa para o esfregar no nariz ao pai e à mãe. São estes vândalos que os professores só podem chumbar aos 5% de cada vez, porque se não vem a inquisição à escola saber quem é que infringiu a bendita lei, feita de propósito para melhorar artificialmente as estatísticas do insucesso escolar.
Quanto ao meu “agressor” de segunda-feira, não lhe fixei a cara, e ainda bem. Se ele ou os pais souberem ler, e se por acaso lerem isto, reflictam. É essa a educação que dão aos filhos?

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