Por causa desta, tive uma pega com o director do jornal, pessoa muito católica mas que não se conseguiu fazer entender à primeira... assim nascem os mal-entendidos!
Há dias, no meio de uma conversa à roda de uma mesa bem regada, que se prolongou pela noite dentro, alguém disse que tinha dado um passeio pela ilha e constatado que ao pé de cada igreja havia uma tasca. Já não sei a que respeito surgiu este “desbloqueador de conversa”, mas o certo é que a coisa animou e toda a gente tentou fazer um exercício de memória para saber se era mesmo assim. Conclusão unânime: é! Até a Sé tem uma tasca em frente…
Por entre olhares de espanto e muitas gargalhadas, lá nos rendemos à evidência de que realmente é muito lucrativo ter um bar aberto ao pé da igreja. Afinal, quantos e quantos chegam à porta do templo e à última da hora se lembram de que estão com sede? Bem vistas as coisas, dentro da igreja um homem ainda fica com mais sede! E em dia de casamentos a coisa piora. Pois então! Basta ver que a maior parte dos casamentos acontece no Verão, que é quando está mais sol para tirar fotografias ao véu, mas é também quando faz mais calor dentro da igreja. A solução, já se sabe, é ir para a tasca.
E nos dias de procissão? É uma canseira! Já vi muito boa gente fazer na tasca a preparação física para levar o andor às costas. É fácil, basta agarrar num objecto esférico de vidro acastanhado ou esverdeado, de preferência bem fresco, e levantá-lo até à altura da boca várias vezes. Com o braço bem treinado, carregar o andor é uma brincadeira de crianças. E felizmente que o andor não sofre muito com o andar, que por sua vez pode ser afectado pelos efeitos secundários do exercício que se fez na tasca. Enfim, andor, que se faz tarde.
De qualquer maneira, não fiquei convencido com a conversa, e por isso dediquei uma parte do fim-de-semana a verificar se realmente a distribuição das tascas respeitava a das igrejas. Surpresa das surpresas, a coisa só não condiz em dois ou três casos, que não vou revelar aqui, para não tirar a quem lê o prazer de ir fazer também este passeio bem disposto. Aquelas igrejas que não têm uma tasca ao lado têm quase todas uma a menos de 100 metros, o que para o caso vai dar ao mesmo.
O pensamento tem o seu quê de engraçado, até porque está em linha com os evangelhos. Pois se até Jesus transformou água em vinho… À nossa!
Ser professor é ser um Eterno Estudante. Foi esta a ideia por trás da criação destas crónicas, publicadas nos jornais A União e Diário Insular, de Angra do Heroísmo. Há aqui textos para todos os gostos, desde o simples devaneio de ocasião até ao artigo de opinião, por vezes controverso, e em todos se sente o autor. Eu. E espero que se sinta também o leitor, pois tudo isto foi escrito para ser lido. E está tudo também em http://eternoestudante.no.sapo.pt/, com mais algumas coisinhas sobre mim...
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