Três anos de tristezas e alegrias chegam ao fim. Valeu a pena o esforço!
No dia 11 de Junho de 2002, eram mais ou menos seis e meia da tarde, recebi uma mensagem no telemóvel: “já saíram as listas dos concursos”. Só isto, curto e grosso. Estava nesse momento a escrever um texto no computador, e a consulta da lista de colocações do concurso dos professores estava ali a dois ou três cliques de distância. Nem pensei e fui lá ver. Seria desta?
Rapidamente vi que os dois lugares existentes na Terceira tinham sido preenchidos por alguém que não conhecia nem conheço, e só fui ver o resto da lista por descargo de consciência, como se costuma dizer. E lá estava eu, no penúltimo lugar, com o nome colocado na Escola Básica 1, 2, 3/JI/S Padre Maurício de Freitas, em Santa Cruz das Flores. A respiração parou, os suores frios jorraram incontroláveis, e na garganta deu-se um nó cego que levou meses a desatar. Eu? Três anos nas Flores? Não devo estar a ver bem! Mas estava…
Nesse dia o jantar custou a engolir a toda a gente. Mais abaixo, o Abelha nem sonhava com a notícia que tinha para lhe dar. Até lhe passou a vontade de jogar o Colin McRae, ele que já tinha montado tudo para uma sessão de rali virtual, uma engenhoca complicada que envolvia uma tábua de passar a ferro no meio da sala para fixar o volante e os pedais. Para mim e para outros, o mundo não tinha acabado, mas toda a gente tinha percebido que acabara de entrar em pausa.
2 de Maio de 2005, mais ou menos seis e meia da tarde. Estava a trabalhar no computador e o telemóvel tocou. Era a Maria Helena a dar-me os parabéns. Parabéns de quê? Não faço anos hoje! – respondi eu, divertido e confuso – Oh homem, a tua colocação, ficaste na Secundária de Angra – o mundo parou mesmo nessa altura. Gaguejei, fui à Internet da forma mais atabalhoada que há memória, e comprovei a concretização do desejo, o retorno do investimento de três anos de vida num contexto social diferente e difícil, muito difícil…
Ao contrário do que muita gente pensa, as Flores não é o fim do mundo nem anda lá perto, mas há vezes em que é difícil viver cá, principalmente para quem é de fora, e diga-se de passagem que há muita gente que não se preocupa em saber se o recém-chegado está bem ou mal, e muito menos se for professor, uma raça que para muita gente é mal-vinda. E digo isto doa a quem doer, pois podia contar muitas histórias a este respeito. Na hora do primeiro balanço, ainda mal refeito da emoção, as contas são muito positivas, e não me arrependo de ter passado mais três anos longe de onde quero estar. Aprendi e cresci muito a nível pessoal e profissional, e sairei das Flores muito mais açoriano do que era no dia em que cá cheguei.
Faltam ainda dois meses, mas já posso dizer: Estou de regresso a casa. Agora, seja o que Deus quiser e eu puder.
Ser professor é ser um Eterno Estudante. Foi esta a ideia por trás da criação destas crónicas, publicadas nos jornais A União e Diário Insular, de Angra do Heroísmo. Há aqui textos para todos os gostos, desde o simples devaneio de ocasião até ao artigo de opinião, por vezes controverso, e em todos se sente o autor. Eu. E espero que se sinta também o leitor, pois tudo isto foi escrito para ser lido. E está tudo também em http://eternoestudante.no.sapo.pt/, com mais algumas coisinhas sobre mim...
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