quinta-feira, 1 de novembro de 2007

31 - O restaurante, a tasca, o polícia e o bófia

Explicações para quê? O título diz tudo.

Estou de volta. As férias acabaram, e no momento em que este escrito lhe entra pelos olhos já eu estou de novo a muitos quilómetros da minha terra. Só falta um ano para o regresso… pelo menos assim espero! E é essa esperança que me vai valendo e dando forças.
Muita coisa aconteceu neste Verão que talvez merecesse uma cronicazinha, mas foi já no fim que ocorreram duas situações daquelas que me fazem sentar diante de uma tela branca e martelar no teclado. Duas situações que me fizeram e fazem pensar como por vezes as pessoas conseguem ser… não queria dizer estúpidas, mas não me vem nada melhor à cabeça dos dedos. Seja então estúpidas. Andamos a falar constantemente na qualidade dos serviços, na qualidade do atendimento, e é certo que demos, damos e continuaremos a dar passos nesse sentido, mas continuam a existir ovelhas ronhosas e maçãs podres um pouco por toda a parte…
Em tempo de rali, foram muitos os “estrangeiros” que nos visitaram, dois deles meus particulares amigos, com quem passei muito do meu tempo, e a quem mostrei alguns dos sítios onde melhor se come nesta terra. Como micaelenses adoptivos há mais de vinte anos, estão já habituados a, por exemplo, jantar “fora de horas” e encontrar restaurantes abertos para isso, mesmo numa quinta-feira às nove e meia da noite. Nada mais normal, pensei eu, também já com experiência de faca e garfo na ilha do arcanjo, e lá fomos os três ali para os lados da Feteira.
Franqueada a porta, um franzir de sobrolho de quem julgo ser o proprietário não me indiciou nada de bom, mas sempre fui dizendo que éramos três para jantar. Consultado o relógio, a resposta veio pronta e enfadada: “A cozinha fecha agora, mas posso pedir à cozinheira que espere um bocadinho. Desde que não seja para fazer serão…” Escusado será dizer que, depois de um momento de estupefacção, acabámos por ir pregar para outra freguesia… Que a cozinha já tivesse fechado, tudo bem, era uma resposta adequada e ninguém tinha ficado chateado com isso, agora … “desde que não seja para fazer serão”??? Mas o que é isto? Poucas vezes tive tanta vergonha como naquela ocasião.
Correu-lhe mal. Por acaso (só por acaso), estamos a falar de pessoas ligadas à comunicação social e com interesse em ambientes diversificados em restaurantes e afins, e aquele restaurante passou a estar na lista negra no que às sugestões terceirenses diz respeito. Levei-os para São Sebastião, e mais dia, menos dia vamos poder ler um trabalho sobre a forma como foi recentemente recuperado um restaurante daquela freguesia, pois ficaram encantados com o espaço e com o atendimento, quando já faltava um quarto para as dez…
Dois dias depois, em pleno rali, fiz menção de estacionar num determinado local para exercer a minha missão de reportagem. De imediato fui mandado avançar por um agente da PSP com cara de muito poucos amigos. Como o local em questão estava vazio e é normalmente utilizado pela comunicação social em serviço, apresentei educadamente a minha identificação e fui brindado com este naco de prosa: “Isso a mim não me interessa para nada. Vamos embora.” Não estou à espera de um tapete vermelho e de um polícia a falar como um mordomo inglês, mas assim também já é demais! No mínimo, um pouco de profissionalismo não lhe fazia mal nenhum e eu tinha ido parar para outro lado da mesma forma, com a simples diferença de que assim não precisava de escrever isto… Já agora, um pouco mais à frente encontrei um agente compreensivo e de olhos abertos para a realidade, que me facilitou a vida e o trabalho. A ele, o meu agradecimento.
Há três anos, no Rali Açores, um agente da PSP chegou junto de mim, cumprimentou-me e fez-me mudar de sítio da forma mais calma e eficaz que se possa imaginar. No fundo, foi educado, fez o seu serviço, e eu mexi os pezinhos para outro lugar sem um queixume, pela simples razão de que não tinha motivos para refilar.
Assim se explica este meu título de hoje. Quando vou a uma tasca, já sei ao que vou, e geralmente as bifanas estão que é uma delícia, acompanhadas por uma garrafa de qualquer coisa bem gelada. Quando vou a um restaurante, espero encontrar também delícias, mas servidas por alguém que não tenha os modos de um carroceiro analfabruto, com a camisa aberta e o peito suado a pingar por cima da mesa. Às vezes, antes ir a uma tasca…
Quanto à questão do polícia, sou daqueles que os respeita e compreende (quase tudo) o que fazem, porque a isso são obrigados. Já não compreendo a má vontade e a falta de profissionalismo dos outros. O polícia do Rali Açores é digno de o ser, o outro é dos tais que nos fazem chamar nomes aos homens da farda azul…

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