quinta-feira, 1 de novembro de 2007

29 - O fogo apagou tudo

Sanjoaninas 2004. Nem tudo correu bem, mas o fogo apagou tudo...

Nunca como agora estive tão perto de nem sentir o cheiro das Sanjoaninas. Já estava mesmo conformado com a ideia e preparado para conhecer um São João diferente pela primeira vez na vida, quando a vida se encarregou de proporcionar uma daquelas surpresas agradáveis e me mandou de regresso a casa para matar saudades da família americana, de que acabei por nem me despedir, por mais uma das fatalidades do destino… paciência!
Acabei por ir, portanto, à festa-mor dos Açores, e o tempo, claro, não foi perdido! Nem tudo correu bem, é certo (e estou a falar só da metade que vi), mas se há uma coisa que a experiência de já ter estado em várias organizações me ensinou, é que ninguém mete os pés pelas mãos por vontade própria, e quem está à frente das coisas a última coisa de que precisa é de pontapés. Palmadinhas de encorajamento, sim!
Neste mundo de burocracias em que vivemos, alguém se esqueceu de enviar o ofício da praxe a São Pedro, e o resultado foi o que se viu: marchas à chuva e o adiamento inevitável da festa, que não deixou ninguém contente, mas foi o melhor que se pôde arranjar. Só não entendi a desinformação que se gerou, com marchas para o dia 3 de Julho (a honras de que santo?) que afinal – e bem – apareceram no sábado. Pela primeira vez, vi as marchas todas até ao fim. Elas mereciam todo o apoio que lhes pudéssemos dar, depois das confusões todas, e a Terceira não regateou aplausos e sorrisos à passagem dos arcos e balões.
Esperem lá!
Arcos e balões?
Pois é, não os vi. Se calhar não vi as marchas todas, como penso, mas não me lembro de ver arcos e balões, apesar de haver pelo menos uma marcha que, paradoxalmente, os referia na letra. Onde ficaram eles? Sempre é uma forma de incluir na marcha pessoal com menos resistência física para aguentar uma hora a saltar sobre as pedras da calçada, e fica tão lindo… como linda foi a ideia do fardamento da marcha oficial, com os bordões da Angra Brava deitados ao chão para um passo de dança “à escocesa”, e as hortênsias da Mansa Flor a atraírem os olhares embevecidos de toda a bravura que encheu as ruas.
O fado terceirense cumpriu-se assim mais uma vez, ainda que à custa do Fado português, com data alterada sem que ninguém soubesse, pondo Mafalda Arnauth a cantar para as montras do Zeferino quando tudo apontava para uma enchente em frente à Sé. Está bem de ver que é a Mariza que está na moda, mas a artista convidada é, também ela, uma grande voz do Fado, e merecia outra consideração, como outra consideração e divulgação mereciam os magníficos exemplares da exposição automóvel, escondidos numa zona pouco ou nada atractiva (aqui é a minha costela automóvel a falar…). É sempre uma emoção rever o velho Willys do Ti Carrapicho, em que comecei a apanhar o vício das canadas, já lá vão uns vinte anos.
Enfim, pequenos nadas que poderiam ter sido melhores, e que não deslustram o esforço da organização. O cortejo de abertura, visto pela televisão a 400km de distância, estava muito bonito, e o arquitecto daquela ponte para a Rainha está de parabéns…
No entanto, e por muito mal que pudessem ter corrido as coisas, desta vez o fogo apagou tudo! Como dizia um amigo, “é melhor nem pensar que vi arder dinheiro bastante para fazer a minha casa”, pois desta vez o fogo foi mesmo um espectáculo! Visto do Relvão, com a música e as explosões sincronizadas a preceito, foi um regalo para a vista. Por mim, se tivesse acabado a seguir à canção de Björk, tinha ficado satisfeito à mesma, mas a nota de bom humor conferida pelo tema final foi inolvidável.
Agora, venham as Festas da Praia, que já estamos prontos para outra (há que anos não chegava eu a casa já de manhã!).
O fogo apagou tudo! Venha outro dilúvio…

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