sábado, 11 de novembro de 2006

22 - A Isabel pediu, a Isabel tem

Pois é, já muita água correu desde que escrevi esta crónica, e a Isabel já não faz parte das "bicicletas" mas nem por isso deixou de ser minha amiga. Gosto dela à mesma, e fico satisfeito por vê-la feliz.

A Isabel entrou na minha vida porque é namorada de um dos meus melhores amigos, por quem eu ponho as mãos no fogo de olhos fechados, e faz o favor de ler estas coisas que eu escrevo e o jornal publica. Ela diz que gosta, e no dia de correr os meninos do nosso pessoal perguntou-me quando é que eu lhe escrevia uma crónica...
Não costumo escrever a pedido, mas achei graça à “encomenda” e aceitei o desafio, só que... não sei o que escrever! Se disser que gosto dela estarei a dizer uma coisa que ela já sabe, e a arriscar ouvir uma boca do namorado, daquelas que só ele sabe mandar... coisas do tipo “não escreves para as tuas vais escrever para as dos outros?”... Se contar como me lembro do dia em que fomos apresentados, ela já sabe, mas o resto do mundo não. E até tem graça, a historieta, pois tivemos de ser apresentados duas vezes, pois da primeira vez não havia luz...
Depois de um exagerado jantar ali para os lados da Praia, a viagem para Angra serviu para experimentar a genica de um certo Fiat Cinquecento amarelo, que na altura tinha menos de um dia ao serviço da nossa malta. A paragem na Tertúlia era obrigatória, ou não estivesse “ela” lá à espera “dele”. Eu, como andava emigrado para São Miguel, ainda não a conhecia, e ainda tive de esperar mais um dia para lhe ver o narizinho... é que mal entrámos na Tertúlia faltou a luz, e lá demos os dois beijinhos da praxe, mas reconhecê-la depois disso só se fosse pelo cheiro...
Depois disso, a confirmação de que aquela miúda tinha qualquer coisa de especial, que levou à sua plena integração e aceitação do “pessoal”, dos “bandidos”, dos “padaços de tolo” e das suas “bicicletas”. Até hoje. Do casamento nem se fala ainda, se bem que os piropos se façam ouvir de vez em quando. Eu cá, como tenho telhados de vidro na matéria, nem falo no assunto, mas os outros, que já se acasalaram, não perdem a oportunidade de perguntar quando é que vamos comer umas sopas de graça...
Acho piada à maneira como ela se assusta por tudo e por nada. Com baratas então nem se fala, mas nesse particular é ela e metade das mulheres do mundo... e alguns homens, também. Se calhar ela não sabe, mas um dos “padaços” tem tanto medo daqueles bicharocos que uma vez se recusou a abrir o portão de casa enquanto não virássemos para lá os faróis, pois julgava ter visto uma na maçaneta...
Uma coisa é certa: ela bem gostava de saber o porquê de gostarmos tanto dos almoços da Sexta-feira... ela e as outras “bicicletas” todas, mas esse é um segredo só nosso. Não é bem o Clube do Bolinha, com a tabuleta à porta a dizer “menina não entra”, mas é parecido...
Já viste, Isabel? Quando comecei a escrever não sabia o que dizer, e se calhar até não disse nada de jeito, mas paciência. A crónica é tua...

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