Os ralis de novo. Até se pode pensar que sou fanático, mas não, apenas gosto imenso deles e do espectáculo que proporcionam.
Há já alguns anos que sigo atentamente tudo o que diz respeito ao campeonato regional de ralis, e desde 1995 só por uma vez não fui ao Rali Açores. Tornou-se para mim já quase uma tradição, iniciada nos tempos da universidade e que se manteve por força da actividade jornalística, quer na imprensa quer na rádio. Desta vez, por motivos profissionais e por nunca se saber se o avião aterra nas Flores a tempo, fiquei a seco.
Custou-me mais do que imaginava, e acabei por passar três dias com os auscultadores enfiados nos ouvidos, para não perder pitada do que se estava a passar em São Miguel. Os meus colegas olharam para mim com estranheza na sexta-feira quando apareci para almoçar com uns fios presos à cabeça, e nem com a explicação pareceram ficar convencidos. Realmente, devo ter sido a única pessoa nas Flores a prestar tamanha atenção ao rali… Quando nunca se viu ou sentiu uma coisa é mais difícil gostar dela, não é verdade?
Sem rodeios, a verdade é que sofri um bocado com as aventuras e desventuras do rali. Perguntaram-me quem é que eu achava que ia ganhar o rali, e eu disse que não me admirava nada se o Gustavo conseguisse chegar em primeiro. Porquê? Porque não acreditava na resistência dos 206 WRC da BSA – um preparador especialista em asfalto – nem na do Ford Escort do Fernando Peres, já velhinho. Já foi do Gustavo, imagine-se! Se não fosse a maldição da Tronqueira, a esta hora estaria inchado de orgulho ao ver as previsões confirmadas. Aliás, tive a oportunidade de manifestar esse desejo à equipa na sexta-feira, ao dizer-lhes que ficava à espera da vitória do Lancer azul. A primeira desistência por despiste na carreira de Gustavo Louro deitou-me os planos por terra, mas para o ano há mais. E que grande rali estava a fazer o Gustavo…
Parabéns merecem também Horácio Franco, Ricardo Moura e, claro, Fernando Peres. Franco perdeu imenso tempo com um daqueles problemas tolos que não lembram ao diabo, e fez uma etapa de sonho no sábado, provando que em condições normais até poderia, também ele, ter lutado pela vitória. Moura acabou a primeira etapa desanimado, mas renasceu das cinzas para rubricar uma prestação brilhante, que só surpreende quem não o conhece. E que dizer de Fernando Peres? Ao volante de um carro com 10 anos mas muito bem preparado, o piloto-dentista mostrou que está em forma e que faz muita falta ao campeonato nacional, que está autenticamente de rastos. Ter um carro com uma década de competição às costas a ganhar dois ralis consecutivos sem apelo nem agravo dá mesmo muito que pensar. Se calhar, até é caso único no mundo…
Em 2004 espero estar a escrever de novo a reportagem do Rali Açores como deve ser, e gostava de dar a um açoriano os parabéns pela vitória. Veremos se é possível…
Ser professor é ser um Eterno Estudante. Foi esta a ideia por trás da criação destas crónicas, publicadas nos jornais A União e Diário Insular, de Angra do Heroísmo. Há aqui textos para todos os gostos, desde o simples devaneio de ocasião até ao artigo de opinião, por vezes controverso, e em todos se sente o autor. Eu. E espero que se sinta também o leitor, pois tudo isto foi escrito para ser lido. E está tudo também em http://eternoestudante.no.sapo.pt/, com mais algumas coisinhas sobre mim...
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